Entrevista | Erika de Faria

Créditos da imagem: Felipe Rufino.

Erika de Faria é uma fotógrafa paulistana dotada de uma enorme sensibilidade estética. Confira a entrevista abaixo!

Camila Ayouch – Por que fotografia?

Erika de Faria – A fotografia para mim é só mais uma linguagem possível. Ela veio como mais uma forma de me expressar por meio das imagens, luz, cores, locações etc.

CA– Como você começou na fotografia?

EF – Letras foi minha formação. Meu sonho na adolescência era ser escritora, era mostrar para o mundo todas minhas transformações, dúvidas, desesperos e paixões. Queria ser Ana Cristina, Clarice Lispector ou Hilda Hilst. Mas como em qualquer boa faculdade, [isso] matou minha criatividade para sempre.

Travei, não escrevia mais, achava tudo sem sentido e que eu não tinha talento para nada, apesar de ter muita coisa para expressar. Juntei dinheiro trabalhando como vendedora na época, para viver um tempo na Espanha, para ver se alguma luz surgia. Lá descobri a fotografia, fotografando viagens, mas de forma diferente, eu contava a história das ruas, conseguia inventar personalidade para os personagens das imagens e isso foi inspirador e voltei renovada para o Brasil.

Após um tempo decidi largar tudo e fotografar como profissão. Hoje fotografo moda, retrato e publicidade e além disso ministro workshops e cursos. Como sempre gostei e estudei várias formas de arte, essa bagagem toda me acompanha sempre na fotografia. Gosto de me inspirar no cinema, nas músicas da Gal Costa, Caetano e Milton Nascimento.

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Fotografia: Erika de Faria.

 

CA – Qual é seu estilo de fotografia?

EF – É difícil definir um estilo, mas acho que minhas imagens são banhadas de sol, sentimentos, brasilidade e delicadeza. É assim que enxergo a vida e é assim que me exponho por meio do meu trabalho. Claro que nos trabalhos comerciais nem sempre consigo colocar o que amo, mas acredito que sempre existem elementos meus ali, por mais que se tenha um briefing perfeito.

CA – Quais são suas referências na fotografia?

EF – Minhas referências na fotografia sempre foram as mesmas, desde o início. A primeira é a fotógrafa Lina Sheynius, que fotografa a intimidade dela e consegue fotografar moda da mesma forma, que é encantadora. Amo o Ryan Mcginley, que sempre teve um trabalho autoral e depois de ficar muito famoso, começou a ser convidado para fotografar publicidade de forma extremamente artística e inspiradora. E um fotógrafo brasileiro que é muito incrível na moda e que admiro muito, é o Zee Nunes. Além de fotógrafos, me inspiro muito em pintores como Schiele e Balthus, amo a delicadeza e o erotismo de suas pinturas.

As Bahias e a Cozinha Mineira em campanha para a Avon | Fotografia: Erika de Faria.

CA – Quais os desafios de ser uma fotógrafa mulher?

EF – Os desafios de ser mulher no universo da fotografia são inúmeros. Acho que os principais são o machismo e a insegurança que nos colocam nesse universo. Acredito que por sempre ter sido um mercado extremamente masculino, a presença das mulheres incomoda, sempre acham que a mulher não vai dar conta, que não sabe coordenar uma equipe, acham que nos imprevistos a mulher vai surtar ou chorar ou que a mulher não deve saber tanto de técnica como outros fotógrafos homens, já escutei muitas vezes esses tipos de comentários, tantos em trabalhos como em cursos de cinema e fotografia.

Já presenciei professores falando isso em aula sobre o porquê não gosta de trabalhar com mulheres, imagina só a minha cara ao ouvir esse tipo de comentário. Acho que a importância da atuação feminina na fotografia é essencial.

Nós mulheres precisamos ocupar os espaços, precisamos ter destaque em todas as profissões, mas acredito que especialmente na fotografia – que além de ser a minha área, é uma área machista -, que sempre duvidou de nós mulheres e precisamos mostrar o quanto somos capazes, talentosas, que nosso olhar é sensível, principalmente quando falamos em retratar outras mulheres, já que a mulher sempre foi retratada por homens, por olhares machistas, sexualizando os corpos e a imagem do feminino, não estou radicalizando, óbvio, mas temos uma quantidade enorme disso.

Por conta do mercado, as mulheres se sentem acuadas e com muita insegurança no mercado, por isso precisamos nos unir, chamar outras manas para trabalhar, apoiar e compartilhar conhecimento com outras manas, já que conhecimento é sinônimo de empoderamento também. A fotografia é imagem, a imagem emociona, e também pode ser informativa, representativa, inspiradora e também triste, má e segregadora. Por isso, nós profissionais da imagem temos a obrigação de passar o nosso melhor para essas imagens.

Nós fotógrafas mulheres temos que ao menos tentar quebrar essas barreiras, tanto da profissão como das imagens machistas que sempre fizeram da mulher. Temos que tratar a imagem da mulher com carinho e com dignidade. A imagem também muda o mundo, ela inspira pessoas, ela também pode iluminar e trazer sentido à vida de outras pessoas.

Modelo: Lenny Nunes | Fotografia: Erika de Faria

CA – Qual equipamento você usa para fotografar?

EF – A câmera que uso é a Canon 6D com a lente 24-105mm; para trabalhos pessoais uso a FujiFilm. Quando preciso de outras lentes eu alugo e flashs também sempre alugo Profoto.

CA – Você já teve alguma publicação de destaque ou recebeu algum prêmio?

EF – Já tive publicações na capa e ensaios na Revista TRIP, tive capa e editoriais de moda na Revista Pais e Filhos, na cia aérea Easy Jet.

Ficou a fim de conhecer mais o trabalho da Erika de Faria? Dá uma olhada nos links abaixo.

Portfólio: www.erikadefaria.com

Instagram: @erikadefariaa

Tumblr: http://erikavisualdiary.tumblr.com

Facebook Page: https://www.facebook.com/erika.defaria

Freak Market: https://freakmarket.com.br/curador/erika-e-leandro

Podcast para o Papo de Fotógrafo: http://www.papodefotografo.com.br/2016/12/feminino-moda-publicidade/

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Entrevista | Ana Schirpa e Caroline Moraes

O post de hoje é um bate-papo com duas fotógrafas paulistas, Ana Schirpa e Caroline Moraes, sobre o trabalho de cada uma delas e os desafios de ser mulher nessa indústria.

ANA SCHIRPA

Ana Schirpa (Créditos da imagem: Tauanna Borazo Maia)
Ana Schirpa (Créditos da imagem: Tauanna Borazo Maia)

A paulista de 25 anos é estudante de marketing e se autodescreve como capricorniana teimosa. Morou dois anos na Irlanda e agora, de volta ao Brasil, divide seu tempo entre lecionar aulas de inglês e a fotografia.

Camila Ayouch – Por que fotografia?

Ana Schirpa – A fotografia permite que mostremos para as pessoas como vemos o mundo, permite traduzir a beleza que enxergamos nas coisas, nas pessoas, ou em uma determinada situação… É a mágica do momento, onde é só você e sua câmera e o resultado só depende de você. Um clique pode mudar tudo.

CA– Como você começou na fotografia?

AS – Desde pequena eu saía fotografando as coisas, mas nunca levei muito a sério. Acabei mergulhando de cabeça nesse mundo quando voltei de um intercâmbio e a readaptação estava sendo difícil. A fotografia me ajudou muito, conheci pessoas incríveis, mulheres maravilhosas e empoderadas que posaram para mim; poucas, mas boas pessoas querendo me ajudar, e trabalhos que me orgulho muito de ter feito parte.

CA – Qual é seu estilo de fotografia?

AS – Gosto muito de fotografar a beleza feminina e a sua sensualidade. Acho o corpo feminino lindo e é maravilhoso entregar um trabalho em que a pessoa fale “nossa, eu não me via linda desse jeito”. É gratificante. Mas, como fotógrafa, procuro ser flexível, então busco aprimorar meu olhar em diversas situações. Carrego minha câmera comigo sempre que possível e saio clicando. Alguns resultados eu publico, outros guardo pra mim…

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Créditos da Imagem: Ana Schirpa.

CA – Quais são suas referências na fotografia?

AS – Tenho algumas referências, tanto masculinas quanto femininas, nacionais e estrangeiras… As minhas principais inspirações são: Mayara Rios, Felipe Watanabe, Gab Dias, Luana Patricio, Andrew Kearns, Thais Marin. Sigo também vários perfis de projetos bacanas, como o Eu mesma, Eu livre.

CA – Quais os desafios de ser uma fotógrafa mulher?

AS – Acredito que para o estilo de foto que eu gosto de tirar, ser mulher acaba sendo um facilitador. Algumas meninas se sentem mais a vontade em tirar a roupa na frente das lentes de um estranho quando quem está por trás dela é uma mulher. Mas acho que existem desafios sim, às vezes é difícil ser levada a sério, ou algum cara se acha no direito de ultrapassar alguns limites e acaba faltando com respeito.

CA – Qual equipamento você usa para fotografar?

AS – Uso uma Canon T5 e as minhas lentes.

CA – Você já teve alguma publicação de destaque ou recebeu algum prêmio?

AS – Eu fiz umas fotos para a Cavalera duas vezes. Em uma delas tive a oportunidade de fotografar o Luringa e seu filho. Acho que foi uma das vezes que mais fiquei nervosa, mas deu tudo certo no final (risos). Também tive a chance de dividir um ensaio com um dos fotógrafos que tenho como referência, e foi uma oportunidade massa para conseguir aprender mais.

Luringa e seu filho Nick. (Créditos da Imagem: Ana Schirpa)
Luringa e seu filho Nick. (Créditos da Imagem: Ana Schirpa)

Ficou a fim de conhecer mais o trabalho da Ana Schirpa? Dá uma olhada nos links abaixo.

Portfólio: Ana Schirpa Fotografia

Instagram@anaschirpa.fotografia

Facebook Page: http://www.facebook.com/anaschirpa.fotografia

 

CAROLINE MORAES

Caroline Moraes

Ao se situar na intersecção entre palavra e imagem, a paulista de 33 anos constrói narrativas visuais dotadas de poesia, forma e potência.

CA – Por que fotografia?

CM – Foi uma paixão, bem daquele jeito clichê. Comecei a fotografar e a entender o que era isso de produzir imagens e fiquei apaixonada pelas possibilidades, pela emoção, pela delicadeza mesmo nas cenas mais duras. Sempre gostei de contar histórias, acho que a fotografia virou mais um jeito de poder fazer isso. É por essa linha narrativa que pretendo seguir.

CA – Como você começou na fotografia?

CM – Me formei em Publicidade em 2004 e, com 21 anos de idade, caí no mercado como redatora meio sem saber de nada da vida, das coisas corporativas e tal. Passei por agências, empresas e uma grande editora. Aos 28 anos, estava chateada com meu trabalho; não via relevância naquilo. Fui estudar fotografia em busca de um hobby, uma coisa para mudar de assunto.

Fiz um curso de férias e adorei. Fui atrás de outro curso, um pouco mais teórico. Seis meses depois, eu estava completamente apaixonada e resolvi buscar uma formação como fotógrafa. Enquanto estudei na Panamericana, mantive meu trabalho como redatora, que pagava bem as contas.

Depois de um ano  naquela vida dupla, entre textos e fotos, saí da editora e resolvi abraçar a vida de fotógrafa. Desde de 2013 sou fotógrafa profissional, apesar de ainda escrever e gostar muito. Hoje, busco maneiras de juntar essas duas linguagens sempre que posso.

Créditos da imagem: Caroline Moraes.
Créditos da imagem: Caroline Moraes.

Já fiz uma pós graduação de fotografia pensando em narrativas e pretendo entrar em um mestrado. Tenho algumas pesquisas artísticas que mixam as duas linguagens e comecei a entender que não existe isso de imagens dispensarem palavras ou vice-versa.

As coisas podem se complementar, existe uma potência linda ao juntar texto e fotografia, que foge da clássica ilustração, que pode abrir muitos horizontes, pensamentos e possibilidades.

No mundo prático, sou fotógrafa de eventos corporativos, de produtos (still) e faço outras coisas quando acho interessante, me identifico, acredito. Uma das minhas principais determinações quando mudei de carreira foi de só trabalhar com o que faz sentido pra mim. Tem dado certo.

CA – Qual é seu estilo de fotografia?

CM – Gosto da capacidade que a fotografia tem de mostrar a beleza das coisas, da natureza das pessoas. Em eventos, corporativos ou não, gosto muito de explorar uma linguagem mais jornalística, de testemunha oculta, sem muitas poses ou coisas armadas. Amo fotografar teatro e dança justamente por poder explorar o que as luzes e os corpos oferecem de possibilidades. Nas minhas pesquisas voltadas para as poéticas acho que junto tudo isso, procuro o que me toca, o que faz sentido para o meu olhar. Fotografar é muito subjetivo pra mim.

Créditos da imagem: Caroline Moraes
Créditos da imagem: Caroline Moraes

CA – Quais são suas referências na fotografia?

CM – Sou apaixonada pelo trabalho da Rinko Kawauchi, japonesa e contemporânea, que produz livros lindos. Há algum tempo tenho interesse nos fotolivros, nas narrativas visuais. A Francesca Woodman me comove sempre, Annie Lebovitz, Cindy Sherman… acho que temos grandes mulheres na história da fotografia.

CA – Quais os desafios de ser uma fotógrafa mulher?

CM – Enfrentar um mercado ainda muito machista e dominado por homens, perder trabalhos porque você não é um cara e só por isso deduzem que não vai dar conta de fazer. Ainda parece normal ser mais bem sucedida se você for gostosa, se der mole, se o cara que detém o poder conseguir o que quer. Ainda é preciso engrossar o trato para ir mais longe.

CA – Qual equipamento você usa para fotografar?

CM – Uma nikon D90 e umas 3 ou 4 lentes.

CA – Você já teve alguma publicação de destaque ou recebeu algum prêmio?

CM – Escrevi por 3 anos para o blog do Paraty em Foco, fazendo a cobertura oficial do evento com textos, críticas e análises dos acontecimentos. Esse ano tive 3 fotos expostas durante um festival de fotografia na RedBull Station, de uma pesquisa chamada Ensaios Sobre Butô. Estou começando a criar coragem pAra me inscrever nesses editais e premiações.

Ficou a fim de conhecer mais o trabalho da Caroline Moraes? Dá uma olhada nos links abaixo.

Portfólio: Caroline Moraes Fotografia

Instagram: @carolemoraes

Facebook Page: http://www.facebook.com/carol.rmoraes