Entrevista | Ana Schirpa e Caroline Moraes

O post de hoje é um bate-papo com duas fotógrafas paulistas, Ana Schirpa e Caroline Moraes, sobre o trabalho de cada uma delas e os desafios de ser mulher nessa indústria.

ANA SCHIRPA

Ana Schirpa (Créditos da imagem: Tauanna Borazo Maia)
Ana Schirpa (Créditos da imagem: Tauanna Borazo Maia)

A paulista de 25 anos é estudante de marketing e se autodescreve como capricorniana teimosa. Morou dois anos na Irlanda e agora, de volta ao Brasil, divide seu tempo entre lecionar aulas de inglês e a fotografia.

Camila Ayouch – Por que fotografia?

Ana Schirpa – A fotografia permite que mostremos para as pessoas como vemos o mundo, permite traduzir a beleza que enxergamos nas coisas, nas pessoas, ou em uma determinada situação… É a mágica do momento, onde é só você e sua câmera e o resultado só depende de você. Um clique pode mudar tudo.

CA– Como você começou na fotografia?

AS – Desde pequena eu saía fotografando as coisas, mas nunca levei muito a sério. Acabei mergulhando de cabeça nesse mundo quando voltei de um intercâmbio e a readaptação estava sendo difícil. A fotografia me ajudou muito, conheci pessoas incríveis, mulheres maravilhosas e empoderadas que posaram para mim; poucas, mas boas pessoas querendo me ajudar, e trabalhos que me orgulho muito de ter feito parte.

CA – Qual é seu estilo de fotografia?

AS – Gosto muito de fotografar a beleza feminina e a sua sensualidade. Acho o corpo feminino lindo e é maravilhoso entregar um trabalho em que a pessoa fale “nossa, eu não me via linda desse jeito”. É gratificante. Mas, como fotógrafa, procuro ser flexível, então busco aprimorar meu olhar em diversas situações. Carrego minha câmera comigo sempre que possível e saio clicando. Alguns resultados eu publico, outros guardo pra mim…

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Créditos da Imagem: Ana Schirpa.

CA – Quais são suas referências na fotografia?

AS – Tenho algumas referências, tanto masculinas quanto femininas, nacionais e estrangeiras… As minhas principais inspirações são: Mayara Rios, Felipe Watanabe, Gab Dias, Luana Patricio, Andrew Kearns, Thais Marin. Sigo também vários perfis de projetos bacanas, como o Eu mesma, Eu livre.

CA – Quais os desafios de ser uma fotógrafa mulher?

AS – Acredito que para o estilo de foto que eu gosto de tirar, ser mulher acaba sendo um facilitador. Algumas meninas se sentem mais a vontade em tirar a roupa na frente das lentes de um estranho quando quem está por trás dela é uma mulher. Mas acho que existem desafios sim, às vezes é difícil ser levada a sério, ou algum cara se acha no direito de ultrapassar alguns limites e acaba faltando com respeito.

CA – Qual equipamento você usa para fotografar?

AS – Uso uma Canon T5 e as minhas lentes.

CA – Você já teve alguma publicação de destaque ou recebeu algum prêmio?

AS – Eu fiz umas fotos para a Cavalera duas vezes. Em uma delas tive a oportunidade de fotografar o Luringa e seu filho. Acho que foi uma das vezes que mais fiquei nervosa, mas deu tudo certo no final (risos). Também tive a chance de dividir um ensaio com um dos fotógrafos que tenho como referência, e foi uma oportunidade massa para conseguir aprender mais.

Luringa e seu filho Nick. (Créditos da Imagem: Ana Schirpa)
Luringa e seu filho Nick. (Créditos da Imagem: Ana Schirpa)

Ficou a fim de conhecer mais o trabalho da Ana Schirpa? Dá uma olhada nos links abaixo.

Portfólio: Ana Schirpa Fotografia

Instagram@anaschirpa.fotografia

Facebook Page: http://www.facebook.com/anaschirpa.fotografia

 

CAROLINE MORAES

Caroline Moraes

Ao se situar na intersecção entre palavra e imagem, a paulista de 33 anos constrói narrativas visuais dotadas de poesia, forma e potência.

CA – Por que fotografia?

CM – Foi uma paixão, bem daquele jeito clichê. Comecei a fotografar e a entender o que era isso de produzir imagens e fiquei apaixonada pelas possibilidades, pela emoção, pela delicadeza mesmo nas cenas mais duras. Sempre gostei de contar histórias, acho que a fotografia virou mais um jeito de poder fazer isso. É por essa linha narrativa que pretendo seguir.

CA – Como você começou na fotografia?

CM – Me formei em Publicidade em 2004 e, com 21 anos de idade, caí no mercado como redatora meio sem saber de nada da vida, das coisas corporativas e tal. Passei por agências, empresas e uma grande editora. Aos 28 anos, estava chateada com meu trabalho; não via relevância naquilo. Fui estudar fotografia em busca de um hobby, uma coisa para mudar de assunto.

Fiz um curso de férias e adorei. Fui atrás de outro curso, um pouco mais teórico. Seis meses depois, eu estava completamente apaixonada e resolvi buscar uma formação como fotógrafa. Enquanto estudei na Panamericana, mantive meu trabalho como redatora, que pagava bem as contas.

Depois de um ano  naquela vida dupla, entre textos e fotos, saí da editora e resolvi abraçar a vida de fotógrafa. Desde de 2013 sou fotógrafa profissional, apesar de ainda escrever e gostar muito. Hoje, busco maneiras de juntar essas duas linguagens sempre que posso.

Créditos da imagem: Caroline Moraes.
Créditos da imagem: Caroline Moraes.

Já fiz uma pós graduação de fotografia pensando em narrativas e pretendo entrar em um mestrado. Tenho algumas pesquisas artísticas que mixam as duas linguagens e comecei a entender que não existe isso de imagens dispensarem palavras ou vice-versa.

As coisas podem se complementar, existe uma potência linda ao juntar texto e fotografia, que foge da clássica ilustração, que pode abrir muitos horizontes, pensamentos e possibilidades.

No mundo prático, sou fotógrafa de eventos corporativos, de produtos (still) e faço outras coisas quando acho interessante, me identifico, acredito. Uma das minhas principais determinações quando mudei de carreira foi de só trabalhar com o que faz sentido pra mim. Tem dado certo.

CA – Qual é seu estilo de fotografia?

CM – Gosto da capacidade que a fotografia tem de mostrar a beleza das coisas, da natureza das pessoas. Em eventos, corporativos ou não, gosto muito de explorar uma linguagem mais jornalística, de testemunha oculta, sem muitas poses ou coisas armadas. Amo fotografar teatro e dança justamente por poder explorar o que as luzes e os corpos oferecem de possibilidades. Nas minhas pesquisas voltadas para as poéticas acho que junto tudo isso, procuro o que me toca, o que faz sentido para o meu olhar. Fotografar é muito subjetivo pra mim.

Créditos da imagem: Caroline Moraes
Créditos da imagem: Caroline Moraes

CA – Quais são suas referências na fotografia?

CM – Sou apaixonada pelo trabalho da Rinko Kawauchi, japonesa e contemporânea, que produz livros lindos. Há algum tempo tenho interesse nos fotolivros, nas narrativas visuais. A Francesca Woodman me comove sempre, Annie Lebovitz, Cindy Sherman… acho que temos grandes mulheres na história da fotografia.

CA – Quais os desafios de ser uma fotógrafa mulher?

CM – Enfrentar um mercado ainda muito machista e dominado por homens, perder trabalhos porque você não é um cara e só por isso deduzem que não vai dar conta de fazer. Ainda parece normal ser mais bem sucedida se você for gostosa, se der mole, se o cara que detém o poder conseguir o que quer. Ainda é preciso engrossar o trato para ir mais longe.

CA – Qual equipamento você usa para fotografar?

CM – Uma nikon D90 e umas 3 ou 4 lentes.

CA – Você já teve alguma publicação de destaque ou recebeu algum prêmio?

CM – Escrevi por 3 anos para o blog do Paraty em Foco, fazendo a cobertura oficial do evento com textos, críticas e análises dos acontecimentos. Esse ano tive 3 fotos expostas durante um festival de fotografia na RedBull Station, de uma pesquisa chamada Ensaios Sobre Butô. Estou começando a criar coragem pAra me inscrever nesses editais e premiações.

Ficou a fim de conhecer mais o trabalho da Caroline Moraes? Dá uma olhada nos links abaixo.

Portfólio: Caroline Moraes Fotografia

Instagram: @carolemoraes

Facebook Page: http://www.facebook.com/carol.rmoraes

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